Veja seis novos paradigmas sobre a aprendizagem da matemática que são capazes de reverter a rejeição do aluno pela disciplina:
1. Meninos ou meninas: todos podem aprender matemática
A neurociência colocou por terra a crença de que as ciências exatas são mais familiares aos cérebros masculinos. De acordo com a professora Boaler, qualquer pessoa, independentemente do gênero, é capaz de aprender matemática, desde que seja encorajada de forma adequada. E esse é um papel do professor. Ele deve mostrar ao aluno que todo mundo tem potencial para este aprendizado, até mesmo diante de problemas complexos.
2. Os erros são importantes para o desenvolvimento cerebral e para alcançar o sucesso
3. Raciocínio matemático não tem que ser rápido. Tem que ser profundo
Os pesquisadores do cérebro acreditam que a rapidez para solucionar um problema matemático, por meio da memorização, não representa a eficácia na aprendizagem. Isso porque observaram que os alunos que se saem melhor com problemas numéricos são aqueles que ativam diferentes rotas cerebrais, que entendem com profundidade. Ser lento também é sinal de inteligência, garantem os neurocientistas.
Outro mito derrubado pela neurociência, segundo Baoler, é em relação à memorização pela repetição. Ter a tabuada na ponta da língua é apenas uma pequena parte da aprendizagem, mas não é essencial. O mais importante é o que os especialistas chamam de “senso numérico”, uma prática que usa os números com flexibilidade. Por exemplo: pela memorização, você logo rebate que 7 x 8 é igual a 56. Já, pelo senso numérico, você pode calcular que 7 x 7 é igual a 49 e logo chegar ao resultado acrescentando 7 para fazer 56. Ou poderia pensar em 10 x 7 = 70 menos 2 x 7 (14), chegando ao mesmo resultado. Usar diferentes formas e situações para alcançar o mesmo resultado é o que amplia a plasticidade cerebral: ou seja, a inteligência.
5. Avaliações cronometradas são extremamente danosas
Formas tradicionais de avaliação, de forma cronometrada, são fortes motores de ansiedade – e isso é extremamente prejudicial ao raciocínio matemático. Isso porque os fatos matemáticos ocorrem na mesma seção em que a memória opera no cérebro. Se o aluno se sente estressado pela pressão do tempo em resolver os problemas da avaliação, a memória sofre um bloqueio e assim a confiança na matemática é corroída. Então, pasme: isso ocorre particularmente entre as meninas e os alunos de aproveitamento mais alto. Resumindo: a ansiedade é inimiga da matemática e a principal responsável pela rejeição à disciplina.
6. Ter um potencial matemático excepcional não está relacionado à facilidade de memorização.
Para os pesquisadores, essa é a base da matemática que promove o alto desempenho ou aproveitamento da disciplina. Por exemplo: um aluno de alto aproveitamento, quando desafiado a resolver uma subtração simples, como 21 – 16, usa o senso numérico transformando em 20-15, que deixa o raciocínio muito mais fácil. Já um aluno de baixo aproveitamento faria essa conta de forma decrescente, sem usar o senso numérico, o que é muito mais difícil.
Então, como fazer em sala de aula? O professor deve estimular o aluno a reconhecer de que forma um número pode ser composto ou decomposto, e usar essa informação para ser flexível e eficiente na resolução dos problemas.
Para entender mais sobre essa nova tendência internacional de ensino da disciplina, o Instituto Sidarta, em parceria com o Itaú Social traduziram ao português a plataforma “YouCubed”, fundada pela professora Jo Boaler, que traz importantes ferramentas e orientações aos professores que querem adotar uma forma eficiente e transformadora no ensino da matemática. Vale a pena conhecer.



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